Reprodução autorizada desde que mencionada à autora e o site www.psicologiaemanalise.com.br/

9 de agosto de 2011

Os outros em mim


A imagem do outro é sempre algo impactante, comentários, opiniões e criticas surgem em diversos contextos (familiar, social, profissional, ou seja, nas relações). O conceito de certo e errado são formas relativas de ver, cada pessoa é única carrega intrinsecamente sua história.

Desde a infância a figura do outro é presença constante, como um espelho refleti conceitos e preconceitos, sobrecargas composta de significados que ditam o melhor caminho a seguir. Ocorre que muitos indivíduos anulam-se e terminam assumindo os outros dentro de si, neste momento não são mais seus pensamentos e desejos que imperam, mas os dos outros.

Pensar por si, agir por si, dá ao sujeito ampla automonia, ao mesmo tempo em que insere uma responsabilidade maior. Talvez seja esse o grande dilema psicossocial, pois ao adotar uma postura mais individual, admitindo suas escolhas, consequentemente o indivíduo passa a ser mais vulnerável as criticas e opiniões alheias, essas nem sempre positivas e construtivas.

É importante entender que as pessoas vão compreender e opinar segundo suas historias de vida. A auto – avaliação ajuda neste processo de interdependência, saber separar o EU do OUTRO do SEU PRÓPRIO EU auxilia a perceber que apesar das semelhanças pessoais cada ser é único.

Não existe uma pessoa igual à outra, o modo, a forma e o contexto existencial são distintos. Cada um vivencia de acordo com os conteúdos emocionais internos. Ao assumir as verdades alheias o sujeito exclui ou deixa de lado um caminho de possibilidades.

Cada pessoa tem sua trilha, seus sonhos e desejos, quando uma censura entre em seu psiquismo, consequentemente há perdas. Ao terceirizar seu espaço sentimental, emocional e relacional, menos espaço sobrará para o crescimento pessoal, a auto-aceitação torna-se quase nula, afinal o outro é mais importante que EU e estará sempre em primeiro lugar.

 Acreditar que é capaz de ascender iniciando um processo de auto-avaliação e consequentemente de auto-aceitação contribui para melhor valorização pessoal, saber lidar com as criticas é entender que somos os únicos capazes de um julgamento mais preciso a nosso próprio respeito.

Uma critica positiva é sempre aquela despida de emoção, de sentimentos de inveja, ciúme ou cobiça. O ato da auto-escuta minuciosa fornece ao indivíduo recursos que o auxiliam em seu desenvolvimento e maturidade, bem como o ajuda a perceber quais pontos devém ser tocados e trocados. 

Vale salientar que o verdadeiro crescimento ocorre quando o sujeito consegue tomar consciência de si mesmo.

Há tantas lacunas a serem preenchidas, tantos labirintos a serem desvendados e ainda diante deste complexo emaranhado mental existe um espaço cativo referente à opinião, afirmação e julgamento dos outros.

Nesta simbiose relacional é notória a luta que muitos desempenham para fazer valer o seu Eu, as suas escolhas, seus pensamentos livres de interferências estranhas. Ainda assim, muitos vivem do lado de lá, preocupados com o que os outros vão falar.

O outro não deve ser visto como uma extensão e sim como parte no processo de crescimento, desenvolvimento e evolução.


.....
*Eu não sou você, você não é eu
Madalena Freire.
 ...
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava pra você
Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança
Na sua, minha, competição
Na sua, minha, birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotência
Na sua, minha, fragilidade doce
Na sua, minha, mudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto olhava pra mim?

...Somos um grupo, enquanto

Somos capazes de, diferenciadamente,
Eu ser eu, vivendo com você e
Você ser você, vivendo comigo.




Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora


Um comentário:

Deixe seu comentário, participe dessa construção!