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25 de agosto de 2011

Tudo começa a partir da aceitação


O processo de aceitação é um dos momentos mais difíceis para o sujeito, sentimentos se misturam e esbarram com o próprio modo de ser.  Aceitar o outro do jeito que é não significa compactuar com seus devaneios, mas entender que as transformações dependem exclusivamente de um desejo individual, pessoal de melhora.
Através da aceitação os relacionamentos interpessoais tendem a ganhar uma atenção menos sofrida, ciente que aceitar não é concordar com atitudes rudes e mesquinhas, no entanto respeitar os pontos de vistas e escolhas alheias.
Julga-se, aponta-se e rotula-se a partir de uma visão única e particular, de modo geral o julgamento surge sem muitas ações concretas, a maioria parte do imaginário, de idéias criadas a partir de um mínimo contexto.
O quesito aceitação tem variáveis que merecem atenção, uma delas se refere ao processo de auto-aceitação. Se a auto-aceitar já é difícil, imagine aceitar os outros. Independente do setor relacional todo ser humano em algum momento aponta limites e movimentos pessoais distintos.  
Ao conseguir perceber e aceitar seus limites você terá a possibilidade de se relacionar melhor consigo e consequentemente com os outros. Este é um processo grandioso e significativo, surge a partir da ação, do crescimento e da auto-aceitação.
Quando o sujeito reconhece que tem falhas, que comete erros, adquire consciência que necessita melhorar para crescer. Os julgamentos alheios sempre são causadores de sofrimento, se acolhidos. Contudo, muitas vezes o autojulgamento com intensidade causa ainda mais sofrimento.
Nunca ninguém conseguirá transmitir em clara e alta definição sua verdadeira imagem, talvez esse tal desconhecido de si seja o estranho interno de cada um. As idéias de outrem se misturam à as próprias opiniões e nesta mistura de conceitos e pré-conceitos cria-se um borrão pouco nítido relativo aos pensamentos, sentimentos e vivências pessoais.
Compreender o que não quer é o primeiro passo para se descobrir o que se quer verdadeiramente, este movimento define e também ajuda a minimizar angústias. A dificuldade é que muitos dos indivíduos não sabem nem o que querem, vivem a vida do outro se moldando a uma perspectiva pouco realista e perfeccionista.
Mudar na esperança de ser amado, valorizado e estimado é colocar mais uma vez a imagem e o desejo do outro em primeiro lugar, mas, modificar, passar por uma melhora intima, buscar a transformação por si e para si, agrega maior desenvolvimento e crescimento pessoal.  
Aceitar não é concordar, o método de aceitação é um movimento interno independe que concordemos ou não, concordar não é só racionalizar, ou seja, o sujeito pode concordar externamente e racionalmente mais não aceitar emocionalmente, sentimentalmente.
Neste sentido, haverá uma não conexão entre o razão, emoção e sensação. Problemas e dificuldades sempre irão existir, isso independe da aceitação ou não do sujeito, mas ao saber lidar com os obstáculos de forma madura e equilibrada, o indivíduo conseguirá transpor barreiras de forma mais serena, terá energia para enfrentar e resolver as demandas que surgem.
E está homeostase trará maior discernimento, harmonia e racionalização para o psiquismo, que clama por moderação.  Sempre dá para melhorar...  
E saber o que quer verdadeiramente é o primeiro passo.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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