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3 de abril de 2008

Matéria Site Bolsa de Mulher

Mães Sozinhas
 



ESPECIAL MÃES
Os desafios de criar um filho sem ajuda de ninguém

Por Sylvio Netto

 
Criar um filho não é fácil. E quando a mãe se vê sozinha nesta situação, precisa ter calma para enfrentá-la sem perder o humor nem descer do salto. Se acumular funções é um grande desafio para a mulher moderna, ao ser pai e mãe - ou "pãe" -, o trabalho é duplicado. Há quem encare a "pãeternidade" por opção. Como fazer para desempenhar com maestria essa dupla função?

A maioria das mulheres não quer cuidar sozinha dos seus filhos e, em muitos casos, quando isso acontece, carregam consigo mágoas e frustrações. Revelar os caminhos que a levaram ao status de mãe solteira também é doloroso. Na educação das crianças, a saída é ser verdadeira. "À medida que a criança cresce, ela começa a se perguntar de onde veio e qual é a sua história. É natural. E o papel da mãe é ser o mais verdadeira, o mais clara possível", destaca a psicóloga e psicoterapeuta sexual e familiar Jacqueline Meireles.

A clareza deve ser gradual. "Você não pode atropelar a curiosidade da criança. Deve responder a cada pergunta francamente e esperar dela a iniciativa de querer saber mais", ensina a psicóloga, ressaltando que alguns detalhes da vida do casal são independentes da relação entre pais e filhos, e, por isso, não precisam ser revelados. "É uma linha muito tênue, mas precisa existir", complementa.

Já a psicóloga especialista em sexualidade Kátia Horpaczky dá a dica para uma mulher solteira ou separada se tornar uma excelente mãe. "Ela tem que ter a questão da separação bem resolvida. Assim, é capaz de distinguir as coisas e saber destacar o lado positivo do pai", acredita.

Influência total

Como única referência, a mãe se torna muito influente, tanto na educação quanto nas opiniões dos herdeiros. Portanto, sinal amarelo! "O filho vai acabar sempre retransmitindo o olhar que a mãe lhe passou. Mas não é por isso que ela deve achar que é dona das crianças, pois são seres independentes, que têm suas personalidades e peculiaridades, não uma extensão da mãe", esclarece Meireles.

A auxiliar de escritório Regina Teixeira conta sua experiência. "Eu precisei muito dos amigos e dos meus familiares para suportar o início, tanto pela minha falta de maturidade quanto pela responsabilidade que um filho acarreta", lembra. Além de interromper os estudos, teve que suportar um mês de internação de seu filho, Victor Hugo, de nascimento prematuro. "Meu salário era praticamente para ele. Demorei muito para conseguir morar sozinha e conseguir coisas para mim. Só fui terminar os estudos depois", recorda.

Hoje, com onze anos, Victor Hugo exige outras habilidades da mãe. "A pior parte é conseguir ser mãe e pai ao mesmo tempo. Devo ser aquela que repreende e dá carinho. Não tenho a quem recorrer, acumulei as funções", desabafa. Para Jacqueline Meireles, mesmo com uma figura materna forte, as crianças precisam de uma referência masculina. "Aquela falta nunca vai deixar de existir. A figura paterna é importante, e não precisa ser um pai biológico. Tem que ter alguém que represente o sexo masculino. É um outro parâmetro", destaca.

Apesar dessa lacuna, as bases psicológica e educacional da família podem suprir e amenizar essa falta. "Às vezes, até mesmo um avô, tio", sugere. "O Victor já chegou a uma idade em que eu tenho que conversar sobre as primeiras namoradinhas e mostrar que estou do lado dele mesmo sendo mulher", conta Regina.

Figura masculina


Para algumas mães solteiras, o fato de não ter compromisso tem o seu lado positivo. "Às vezes, a mulher passa até a mudar o seu gosto para tentar escolher o melhor homem para ser uma figura masculina para o seu filho", considera Meireles. Ela recomenda que essa busca seja minuciosa e detalhista e que seja evitado, ao máximo, o contato da criança com essa parte da vida da mãe. "Só se deve revelar algo quando for um relacionamento sério. O importante é observar muito o parceiro antes de se comprometer profundamente. O pretendente deve entender e, sobretudo, respeitar a família que já está estruturada. Ele não constituiu nada e, por isso, tem que entrar com muito carinho, amor e respeito", ensina ela.

Na opinião de Regina, o filho abre uma nova perspectiva e horizontes completamente diferentes para a mulher. "É fundamental que os pais 'grávidos' tracem planos e sonhos para a vida que irão gerar", considera. A maturidade para encarar a vida foi um dos prêmios. "Muitos dizem que foi na hora errada, mas para mim foi apenas inesperado. Victor é meu melhor amigo e hoje posso curti-lo com a vitalidade de uma jovem, jogar bola com ele. Considero-me bem-sucedida nesse papel e sou muito feliz", conclui.


Mãe por opção


Mas nem sempre a vida de mãe solteira é um acaso. Pode ser uma opção. Diante da falta de um bom exemplo de pai ou mesmo de um companheiro estável, há quem anseie dar à luz ou adotar sem desejar um homem por perto. Em sua maioria, mulheres bem-sucedidas, como a atriz hollywoodiana Meg Ryan. Solteira desde o fim de seu casamento com o ator Dennis Quaid, em 2001, decidiu adotar, em 2006, uma criança de origem chinesa, batizada de Daisy.

Outra mãe solteira é a diva Sharon Stone. Após separar-se do jornalista Phil Bronstein, em 2004, com quem já havia adotado um menino, resolveu repetir a dose. Foi quando entraram para a sua família Laird Vonne, em 2005, e Quinn Kelly, no ano seguinte.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Psicoterapeuta


  
Empurrando com a Barriga

Por que casais mantêm a relação mesmo sabendo que ela está fracassada?


Por Sylvio Netto  

O clima não é mais o mesmo e as desculpas estão cada vez mais diversificadas. Você anda conversando com as amigas e suas reclamações são sempre: "Ele não presta mais atenção no que eu digo" ou "Entramos numa rotina". São indícios de uma relação desgastada, possivelmente na iminência do fim. Mesmo assim, muitos insistem em empurrar com a barriga esses relacionamentos. O que motiva os casais a ficarem juntos mesmo sabendo que não dá mais certo?

Os sinais de uma relação arrastada são inúmeros e variam de par para par. Aílton Amélio da Silva, doutor em psicologia de casais e autor do livro "Para viver um grande amor", fornece um bom termômetro: "Desconfie quando a segunda-feira passar a se tornar melhor do que o fim de semana", vaticina. Mesmo reconhecendo que a relação vai mal, muitos prosseguem com o compromisso.

Autoestima baixa é uma das características que justificam essa atitude, segundo a psicóloga especializada em terapia de casal e psicoterapeuta sexual Jaqueline Meireles: "Às vezes, a mulher pode achar que não vai conseguir um parceiro melhor. Em outros casos, existem algumas compensações que suprem a falta de vínculo".

Sentimento de dependência, de qualquer ordem, também é fator importante na manutenção dessas relações. "O cara está do seu lado, mas já não é mais seu companheiro. Está ali apenas por estar. O sentimento existente não é mais amor, mas dependência", ressalta a terapeuta.

Meireles reforça que a insegurança influencia diretamente no temor da mulher de romper o relacionamento. "Quanto mais ela sabe o que quer e sabe o seu valor, menos necessidade ela tem de estar com alguém que não a complete 100%. Ela vai buscar algo no seu nível", pontua. A especialista aconselha aquelas que estão insatisfeitas no seu relacionamento: "A mulher tem que ter consciência de que aquela relação não tem mais chance de crescer. A relação está minada".

O relacionamento é cultivado todos os dias, continua ela, e esse tipo de situação só acontece quando a parceira já esgotou todas as tentativas na vã ilusão de reavivar a chama. "Quando chega ao final é porque existem indícios lá atrás de que o envolvimento não está dando certo e, instintivamente, o casal já sabe disso", constata. Ela complementa: "Em uma relação ambos têm que estar inteiramente envolvidos. Não existe namoro pela metade".

A hora do rompimento é considerada a mais complicada. "Nada é fácil, existem muitas raízes no relacionamento e muitas delas são legítimas. Ela sabe racionalmente que tem que sair, mas existem um conjunto de outros fatores que têm importância nessa decisão", considera Amélio da Silva. A passagem da decisão para a atitude cria inúmeros temores, que são naturais, porém difíceis de lidar. "Primeiro a relação termina emocionalmente e depois é que vai para as atitudes", afirma Meireles.

Segundo a psicóloga, a decisão interna de terminar vai influenciar toda a convivência a partir dali, e se transmitirá em pequenas atitudes: "No fundo, ele sabe que a companheira não mais o suprirá como antes, não se doará como antes. Não será bom para ela nem para ele", conta. Muitas mulheres passam por inúmeros conflitos internos que acabam indicando uma via mais simples, mas que não soluciona: "Para ela é mais fácil dar um basta em tudo do que usar as ferramentas necessárias para reerguer o relacionamento", acredita Meireles.

Nesses casos, a psicóloga aponta que a terapia de casal pode ajudar na compreensão real do relacionamento e também no julgamento individual, mas ressalta que só as sessões no divã não farão milagres. "As pessoas pensam que a terapia irá salvar o relacionamento. Às vezes, ela só reafirma que a relação já não tem mais sustentação e deve acabar. A psicologia não afasta nem aproxima, apenas esclarece a forma de enxergar os conflitos. Para uma relação continuar sólida ambos têm que querer continuar juntos, se doando à relação", insiste.

A chave para um rompimento mais ameno é ser verdadeiro com o parceiro. Apesar das frustrações e do sofrimento inerente à situação, a mulher deve ser firme na decisão. A psicóloga explica: "Conversa é sempre a melhor solução. É necessário mostrar o que já foi tentado para manter viva a relação. Deve-se falar abertamente, as pessoas têm medo de ser sinceras para não magoar, mas é importante ser verdadeiro independentemente de qualquer coisa. Ela já sabe de antemão que vai causar um sofrimento".

O maior vilão nessas situações é a carência. Segundo Amélio da Silva, logo após o término, muitos sentem falta da companhia do antigo parceiro e acabam sucumbindo à dor da solidão repentina: "Ele pode até reatar por sentir falta da disponibilidade dela em tentar lhe agradar, mas não quer dizer que voltou a amá-la. Quando a carência passar, a insatisfação aparecerá. A relação continua fadada ao fracasso". O autor fala ainda em arrependimento: "Muitas pessoas só dão valor quando perdem e acabam se arrependendo da decisão".



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

 

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