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5 de agosto de 2017

A função paterna e suas transformações ao longo do tempo

A função paterna vem passando por muitas transformações e conquistas, o homem atual teve que se adequar a essa nova realidade de relação familiar, tendo maior espaço na vida dos filhos, participação nas tarefas domesticas, responsabilidade dos cuidados com a prole e envolvimento diário nos cuidados básicos com a criança.

Este importante papel de pai participativo e presente na vida dos filhos mostra que lugar de homem também é em casa, partilhando momentos de cuidados, amor, instruir e ensinar. Isso porque ninguém nasce pai, a paternidade é aprendida no dia a dia, através de muito empenho e dedicação, onde a eixo principal desse aprendizado é o amor.

O proposito do pai na educação do filho não é de ser mãe, mas sim ser um pai presente, comprometido e acolhedor. Do mesmo modo que nasce uma mãe com a chegada do filho, também nasce um pai. Neste processo, o homem vai aprendendo a ser pai e tem todas as possibilidades de exercer esse papel com louvor.

A função paterna a cada década vem ganhando destaque e sendo desmistificada, essas transformações são importantes para romper pré-conceitos, antes o homem era visto só como o provedor da família e os outros papeis ditos como "subalternos" cabiam a mulher, isso incluía o trabalho domestico e o cuidado dos filhos. A ruptura desse padrão patriarcal ganha cada vez mais adeptos e outras estruturas de família vão sendo formadas.

 Neste sentido há um ganho cultural, econômico e social. Esse novo modelo de pai trouxe maior proximidade e os filhos saem ganhando. Hoje, tanto a mídia quanto nas redes sociais, o homem é estimulado a abraçar esse universo paterno. Se antes a mulher era vista como a matriarca do lar, tendo a responsabilidade de cuidar dos filhos e das atividades domesticas, hoje ela convida o homem para participar dessa dinâmica. Da mesma forma que antes era responsabilidade exclusivamente do homem prover a família, hoje a mulher também se ausenta do lar e participa do mundo corporativo.

As exclusividades de atividades que separavam o homem e a mulher estão aos poucos sendo dissolvida. O homem tem mostrado que sua vida tem espaço para exercer inúmeras funções, inclusive a paterna. A cultura do pai antigo, aquele homem que manda e todos obsedem está dando lugar a outro pai, o pai afetuoso, que procura equilibrar a rigidez com a doçura, que abraça, diz que ama de modo que devemos investir nesse novo modelo de homem e de pai. Cabe a pais (mãe e pai) de hoje educar seus filhos para ser esse pai do futuro, um pai educador, mais também afetuoso.

Essa relação pai e filho vai ganhar mais espaço a medida que a mãe permite que o pai entre nessa relação e tenha a chance de construir vínculos com o filho. Pois, diferente da mulher, o homem não tem em seu ventre as sensações do que é carregar um ser em si. Há alguns homens que têm essa sensibilidade, conseguem entrar nesse mundo de amor, se envolver com a gestação, outros essa sensibilidade só irá surgir após o nascimento da criança. Todas essas variáveis vão facilitar ou retardar esse encontro de corações.

Quando o casal decide ter filho os papeis de pai e mãe vão aos poucos se moldando, em alguns casos até se misturam. A função do casal é de apoiar um ao outro nesse momento de educação e construção psicoemocional do filho. É importante reconhecer que não existe pai perfeito nem mãe perfeita, deve sim haver o desejo de cada um em fazer o melhor, não existe meu filho ou seu filho, mas o nosso filho.

O amor é o estimulo que cada um deve ter para que esse cuidado e convívio com a criança ocorra de forma sadia. Filho não dever ser visto como um fardo, mas como um ser que veio agregar valor e mais amor aquela família. A questão não é quem faz mais, quem fica mais, quem ama mais, quem cuida mais da criança, mas, quem investe o seu melhor tempo.

Abrir mão de algo por um filho é um ato de amor e sacrifício, ambos, tanto o homem quanto a mulher devem aprender a reconhecer a importância que cada um tem na vida dos filhos. Não existe um mais importante, não se pode dizer que a mãe é mais importante ou que o pai é mais importante, se assim fosse, muitas crianças não sentiriam falta de ter um pai ou uma mãe participativo(a) em sua vida.

A participação do pai, o envolvimento dele no pré-natal, no nascimento e no desenvolvimento do filho, tende a promover e estreitar o laço entre pai e filho e esse afeto é que vai fazer a diferença no futuro. Pai não é hospede de sua própria casa, não é visita, não é reprodutor, não é provedor, pai é saber que seu lugar é de ser e não estar.

Estar é transitório, ser é eterno!

Seja pai... Com muito orgulho!

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