Reprodução autorizada desde que mencionada à autora e o site www.psicologiaemanalise.com.br/

29 de agosto de 2009

Individualismo na relação a dois


Psicólogos especialistas em terapia de casal falam sobre o lugar do individualismo nos relacionamentos
HUGO VIANA

Qual a importância de manter a individualidade num relacionamento? Antes de levar adiante um compromisso sério é preciso se conhecer. Nessa busca de identificar a própria identidade, entender a solidão, qualquer um pode ser taxado de “individualista”. Só que esse momento é imprescindível para a melhor compreensão de si e dos limites pessoais. “Busca-se o amor do outro, mas muitas vezes nem aprendemos a nos amar. É preciso que cada indivíduo procure a identidade pessoal para chegar na felicidade como casal”, explica Jacqueline Meireles, psicóloga clínica e hospitalar, habilitada em saúde da família.

“É sempre válido investir na individualidade, mas nunca no individualismo”, aponta ela. A profissional lembra que, abdicar de hábitos individuais para satisfazer a vontade do outro, não significa necessariamente se apagar diante do par. “Mas não se pode abdicar de tudo e sempre. É saudável ter em mente que, antes do casal, há um indivíduo com anseios, sonhos e desejos particulares. É importante lembrar que ao satisfazer a vontade do outro a pessoa não precisa se anular”, pontua.

Para, a partir de todas essas nuances, desenvolver um relacionamento honesto, é preciso boa dose de maturidade. O casal precisa manter aberto um espaço para diálogo, estabelecer uma confiança mútua e, assim, investir tanto em momentos pessoais quanto na relação a dois. “Isso depende da confiança conquistada na relação entre as partes. Seja no amor, na amizade ou nas relações em geral, tudo é uma conquista. Falando de uma relação saudável, não patológica, é importante respeitar os ciclos e os ritmos de cada um. Para que a relação se mantenha saudável no dia a dia, é preciso que se permita ao outro ser o que ele ou ela é, destituído de fantasias, ilusões e projeções. Em qualquer relação é preciso que se estabeleça limites”, pondera Jacqueline.

Psicólogos concordam que também é fácil para essa busca pela individualidade desandar e acabar no egoísmo. A psicoterapeuta de casal Conceição Veras Padilha, que também é sexóloga, ressalta que não pode haver lugar para atitudes egoístas num relacionamento. “A indivudialidade é positiva, exceto quando se transforma em individualismo. Tratar uma pessoa como objeto, como algo que pode ser ‘descartado’, algo que pode ser observado em algumas relações, sinaliza o lado egoísta e obscuro de cada um, como se o outro estivesse ali apenas para satisfazer. Isso demonstra infantilidade e imaturidade na relação”, observa Conceição. E complementa: “O individualismo limita. Podemos até fazer uma analogia com os instintos primitivos da primeira infância, quando há uma busca pela satisfação pessoal. Torna-se um grande desafio para a manutenção da individualidade conciliar o amor por si próprio e o amor pelo outro, negociar esses dois desejos; o de liberdade e o de simbiose, adaptar sua dualidade ao parceiro na tentativa de ajustar o crescimento de modo recíproco”.

SERVIÇO
Jacqueline Meireles
Fone: 8811 2263
Fonte: Folhape

2 comentários:

  1. katia goretti05/09/2009 23:00

    caras psicologas

    Um País que cultua a cegueira, a alienação e a replicação de modelos sociais nocivos, pouco se preocupa com a relação individual-conjugal e coletiva. O diálogo mais produtivo se dá quando a busca pessoal encontra o coletivo.É trabalhoso e de grande investimento. Penso sempre que podemos na busca pelas respostas sermos mais livres e autônomos em nossas escolhas. O modelo que serve a um não serve a todos, mais estamos sempre procurando modelos!
    É incansável .....

    katia goretti

    ResponderExcluir
  2. Olá Jaqueline.
    Eduardo sempre elogia muito seu trabalho e agora vejo que ele tem razão!
    Parabéns!

    Sandra Couto

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, participe dessa construção!