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7 de fevereiro de 2011

Redes sociais e suas "relações"

Para viver em comunidade é preciso se desprender do individualismo, reconhecer que o sujeito é um ser social e tem intrínseca a necessidade de relacionamento. A chamada relação interpessoal promove trocas de informações de acordo com a bagagem cultural associada à educação, história de vida e afabilidade. Esta última, cada vez mais escassa vem sendo “engolida” pela globalização.
Antes da era digital, as relações sociais eram mais próximas, as cartas enviadas além de palavras  transmitiam sentimentos. O que se observa na atualidade é um distanciamento tanto físico quanto emocional causado pela falta de comunicação levando a carência social, muitas culturas pregam o individualismo e caminham para o egoísmo e o exclusivismo.
As redes de relacionamento trazem duas vertentes: primeiro, uni a população através de redes sociais, dando lugar às informações que chegam cada vez mais rápidas por meio da internet e da mídia em geral; segundo, abre paradoxos, onde as pessoas estão juntas, mas não estão próximas e ao mesmo tempo em que pertencem à mesma tribo ofertam pouco contato social, ganham em quantidade e perdem em qualidade.
Ao fazer parte de uma comunidade o ser humano sente-se pertencente ao grupo, os adolescentes sabem bem o significado desse movimento, procuram se vincular a uma determinada coligação com o objetivo de fortalecer sua identidade.
Paradigmas vão surgindo, de um lado o sujeito tenta conectar-se com as mais variadas tribos e etnias, por outro, a era digital pouco tem aproximado as pessoas afetivamente, produzindo como consequência mais grupos, menos vínculos e uma relação pouco coesa.
Se nas comunidades as pessoas pouco se comunicam em meio à suposta correria do dia a dia, o que dizer dos prédios onde mal os vizinhos se cumprimentam?
Os sites de relacionamento não são diferentes, os que supostamente serviriam para aproximar as pessoas pouco tem utilidade, neste sentido apenas uma quantidade micro de pessoas se relacionam de verdade, o macro apenas fica de “longe” observando.
É notório que nem todos são pertencentes ao mesmo grupo de amigos, não se pode afirmar para os que se aventuram nas redes sociais a existência de laços profundos de amizades, mas se faz necessário fazer uso da educação, gentileza e diplomacia.
Os sites de relacionamento possibilitam ao sujeito interagir, aprender a coexistir, se relacionar de modo flexível e fazer uso do tato e discrição. Ciente que, ninguém é obrigado a se vincular, aceitar e participar deste grande grupo comunitário que são as redes sociais.
Talvez essa falta de sociabilidade nas redes sociais seja apenas reflexo das relações familiares, encontros esses que estão se tornando cada vez mais resumidos e escassos. Este formato cruza com a  imagem da família contemporânea fragmentada e afastada, onde poucos coexistem de verdade. A cultura prega o individualismo e a individualidade, consequência disso é o sujeito cada vez mais solitário.
Verifica-se ainda à falta de dialogo entre pais e filhos, o que contribui para ausência de contato afetivo originando sofrimento. Não se pode atribuir à culpa a era digital por completo, esta apenas  traduz a dinâmica familiar, social e cultural.
O sujeito não necessariamente precisa pertence à mesma tribo, mas pode compartilha dessa suposta “igualdade”, mantendo uma relação cordial com os demais ou mesmo decidir por se afastar quando necessário.
Todos têm liberdade de escolha e através dela poderão optar por construir relações mais verdadeiras e transparentes.





Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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