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14 de outubro de 2009

Violência emocional, submissão, escolhas e liberdade

A violência possui um amplo sentido, entendida como ato de violentar, constrangimento físico ou moral, uso da força, coação é externado nos seus diversos ambientes seja ele doméstico, social, familiar, entre outros. A violência emocional hoje já ocupa um espaço significativo que antes pouco se falava, ou, pouco se proponha à reflexão. Nesse momento, não só abordaremos a violência causada por fatores externos, mas outra, a permitida pela própria pessoa e que passo a nome-lá como submissão.

A submissão é a disposição para aceitar um estado de dependência, rebaixamento servil, humildade afetada e subserviência, um tipo de agressão muitas vezes inconsciente. Algumas pessoas por omissão ou por não saber dizer não, permitem que sejam emocionalmente invadidas e abusadas, por acreditar ser incapaz de delimitar espaço ou mudar o percurso. Quando elas se colocam na posição de submissão acabam por renunciar a si mesmo, excluindo qualquer possibilidade de escolha. O submisso, busca agradar e consequentemente ser fonte de admiração, o que acaba por anular a sua liberdade ao permitir que os outros escolham por ele.

Ao pensar, que muitas dessas situações podem ser vivenciadas em decorrência do medo que se tem em fazer escolhas, ou melhor, por medo de não acertar na escolha e fazendo assim uma escolha errada. Afinal, ao fazer uma escolha que julgue errada, não há a quem culpar, tendo que assumir as conseqüências, quer seja, dos erros ou dos acertos. Enfim, escolher denota risco, isso poucos querem. Ao confiar mais no outro que em si o sujeito perde uma das únicas coisas inerentes ao ser humano; O direito de ir e vir.

A submissão pode ser considerada uma das piores violências que o ser humano se submete, porque ela atinge toda estrutura emocional. Ao julgar ser incapaz de criar e exercer liberdade sobre sua vida, a pessoa atribui ao outro toda responsabilidade pelo infortúnio, minando assim sua capacidade de discernimento. Acarretando uma série de sofrimento gerado pela opressão que aflige seus sentimentos. Ao passar a viver o sonho do outro, a vida do outro, o desejo do outro, as escolhas do outro, a pessoa abre mão dos seus próprios sonhos, desejos e naturalmente sua vida.

O ideal, para qualquer relação saudável seria, viver e deixar que outro viva suas escolhas com liberdade não se esquivando da responsabilidade. Lembre-se que, a liberdade, primeiramente é uma conquista interior e que aos poucos ela vai tomando forma exterior ao ser exercida e vivenciada com responsabilidade. Viver a liberdade livre da autopunição, da auto-violência não é um dever é uma opção, constituída no saber escolher, em respeitar os seus limites e o do outro.

A liberdade não abusa, não machuca o próximo, mas a liberdade também está em escolher o que não se quer ter.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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