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22 de dezembro de 2008

Entrevistas Jornal Folha PE

PLANO B

MÔNICA MELO                        
                                      

Revival: especialistas pontuam fatores de peso na decisão de casais em se dar nova chance

Viagens, de­cla­ra­ções, pla­nos, pre­sen­tes, cham­pa­nhe e flo­res. Seria esta, tal­vez, a con­for­ma­ção mais pró­xi­ma ao fa­mi­ge­ra­do “mar de rosas”. O que dizer, então, quan­do a tur­bu­lên­cia chega para um ao ouvir o com­pa­nhei­ro dar o ve­re­dic­to: “basta, não dá mais!”? Sob uma pers­pec­ti­va fria, resta, sim­ples­men­te, con­for­mar-se com o hiato de­fi­ni­ti­vo. Um qua­dro, pro­va­vel­men­te, mais com­ple­xo surge quan­do a pos­si­bi­li­da­de da volta exis­te. Especialistas des­do­bram, aqui, as con­di­ções bá­si­cas às quais os par­cei­ros devem ficar aten­tos ao se dis­po­rem ao re­vi­val.

A mé­di­ca Daniela Ferraz e o pu­bli­ci­tá­rio Thiago Almeida estão jun­tos há oito anos. Trajetória que in­clui uma la­cu­na de três meses de se­pa­ra­ção. Necessária, se­gun­do Daniela, para que o casal re­vis­se al­gu­mas ati­tu­des, como a pro­gra­ma­ção, na ro­ti­na an­ti­ga, de ho­rá­rios para se ligar ou se en­con­trar. “Hoje não exis­te tanta co­bran­ça, vol­ta­mos mais cúm­pli­ces, to­le­ran­tes, vimos o valor do que já havia sido cons­truí­do”, sin­te­ti­za a mé­di­ca. Já a uni­ver­si­tá­ria Karla Souza viveu um re­la­cio­na­men­to de idas e vin­das, ao longo de qua­tro anos. As ten­ta­ti­vas não foram su­fi­cien­tes, diz ela, para que o ex-par­cei­ro am­plias­se ho­ri­zon­tes pro­fis­sio­nais ou de­mons­tras­se maior en­vol­vi­men­to afe­ti­vo. “Não me ar­re­pen­do das in­ves­ti­das. Era mais cô­mo­do me man­ter com ele, não me ima­gi­na­va sem ele e, de fato, acre­di­ta­va na sua mu­dan­ça”, co­men­ta.

Para a psi­có­lo­ga Silvana Molina, ao se ha­bi­li­ta­rem a vol­tar, os en­vol­vi­dos pre­ci­sam estar dis­pos­tos a re­no­var, a en­xer­gar di­fe­ren­ças e de­sa­cor­dos como ele­men­tos co­muns à re­la­ção. É ne­ces­sá­rio, diz a es­pe­cia­lis­ta, apren­der a lidar com as fra­gi­li­da­des que de­ses­ta­bi­li­za­ram a vida a dois e par­tir para a re­cons­tru­ção, im­buí­do da pers­pec­ti­va de mu­dan­ça. “Os par­cei­ros não devem ficar pre­sos ao pas­sa­do, mas pre­pa­ra­dos para se rein­ven­tar e lidar com as co­bran­ças so­ciais e fa­mi­lia­res por­que nem todos os co­nhe­ci­dos do casal são fa­vo­rá­veis à volta”, acres­cen­ta a psi­co­te­ra­peu­ta Mônica Caluete, para a qual con­ve­niên­cia, pra­ti­ci­da­de ou eco­no­mia de es­for­ços não devem fi­gu­rar entre as mo­ti­va­ções dos com­pa­nhei­ros em uma even­tual re­con­ci­lia­ção.

Na visão da psi­co­te­ra­peu­ta Jacqueline Meireles, o dis­tan­cia­men­to, a rup­tu­ra, mui­tas vezes, pos­si­bi­li­tam que os en­vol­vi­dos re­co­nhe­çam o peso do outro para sua vida. No en­tan­to, o amor, tão so­men­te, não sus­ten­ta a re­to­ma­da da re­la­ção. É ne­ces­sá­rio aos par­cei­ros, pon­de­ra a es­pe­cia­lis­ta, ter afi­ni­da­de, olhar jun­tos em uma mesma di­re­ção, ter com­pa­ti­bi­li­da­de em ter­mos de ­ideais, pro­je­tos de vida. No caso de se­gui­rem jun­tos, sa­lien­ta Caluete que não é bem-vinda a co­bran­ça pelo par­cei­ro com re­la­ção aos pas­sos do outro du­ran­te a fase de se­pa­ra­ção. “A rein­ci­dên­cia de ati­tu­des ou sen­ti­men­tos cau­sa­do­res das di­ver­gên­cias e afas­ta­men­to do casal ser­vem para os en­vol­vi­dos re­pen­sa­rem a de­ci­são de vol­tar”, en­cer­ra Caluete.


Jacqueline Meireles
Psicóloga/Psicoterapeuta



Dois pesos, duas medidas

HUGO VIANA  
Para conviver bem é preciso aprender que todo mundo tem que ceder 

Chega sábado à noite e você quer ver um filme cabeça no Cinema da Fundação, e depois, quem sabe, ir jantar sushi num agradável restaurante japonês. Mas seu par tem outros planos: prefere ir a um barzinho, num encontro com outro casal amigo que, francamente, você não suporta (mas nunca teve coragem para dizer). Essa situação assustadoramente cotidiana, e devidamente irritante, faz parte do dia a dia de qualquer tipo de relacionamento. Seria um impasse? Como lidar com as diferenças sem passar a impressão de mosca morta que sempre cede, ou durão cabeça dura que nunca é capaz de dizer “Ok, amor, você tem razão”?

Para a psicóloga e psicoterapeuta Jacqueline Meireles, dentro da dinâmica de cada relacionamento, as pessoas acabam meio que naturalmente interpretando papéis de certa forma intercambiáveis. “A pessoa mais generosa da relação sempre procura agradar, mesmo que muitas vezes o ato de ceder esteja lhe desagradando”, explica Jacqueline. “Mas tudo nas relações sociais tem um preço, e até essa pessoa que mais se doa num namoro tende a cobrar, nem que seja simbolicamente, essa sua suposta ‘solidariedade’”, pondera a psicóloga, que alerta para essas formas de se apresentar ao outro: “É muito mais gratificante e aceitável socialmente ser visto como uma pessoa generosa do que alguém rígido ou inflexível”.

O problema nessa situação, em que uma das partes “sempre cede” às demandas do outro, é talvez um crescente sentimento de submissão. Nesse sentido, Jacqueline alerta para a importância em se fazer constante análise das situações. “O ‘ceder’ se torna prejudicial quando umas das partes se sente incomodada com essa situação”, diz a psicoterapeuta. “Nesse caso, é preciso levar em conta a frequência relacionada ao ‘ceder’ e entender o porquê disso, a razão de se submeter tanto a esse tipo de ‘doação’”, comenta Jacqueline, que sinaliza a existência de dois tipos de comportamentos mais comuns para uma relação baseada nesses códigos: “Há o comportamento de submissão e de egoísmo. O submisso está sempre disposto a ceder, enquanto o egoísta pouco ou nunca se predispõe a tal atitude. Toda relação que causa sofrimento não pode ser vista como algo ‘saudável’ e deve ser avaliada”.

Quando a situação atinge esse momento-limite, em que a submissão ou o egoísmo  são localizados e passam a incomodar, o que fazer? A busca pelo equilíbrio é sempre uma saída difícil de alcançar em qualquer tipo de relação. “O ideal seria não se anular, não se acomodar e, talvez principalmente, não se afastar de si mesmo”, alerta Jacqueline. “Para uma relação ser saudável, se tratando de namoro ou amizade, deve se respeitar o espaço limite de cada um. As relações não podem ser vistas como um ‘jogo de disputa’, de quem ‘ganha’ mais é quem ‘cede’ mais”, reflete Jacqueline.

Todas essas questões são de certa forma complexas e difíceis de entender quando nós somos os protagonistas. Nesse sentido, Jacqueline alerta para a importância de despertar uma noção apurada de (auto)observação, para perceber como nos relacionamos com os outros. “O processo psicoterápico leva o ser humano ao encontro de si mesmo, em que ele aprenderá a se olhar, a se aceitar e a construir seu próprio julgamento, com consciência, maturidade, responsabilidade e autonomia. Em outras palavras: saber o porquê das coisas, das escolhas e, principalmente, das nossas próprias atitudes, para uma mudança interior e sem culpas”.

Serviço
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Fonte: Folha PE


O prazer da relação aberta

Mônica Melo


“A ideia é que essas relações extras oxigenem o namoro. Cada par funciona de um jeito. Se os envolvidos sempre renovam esse contrato e se dizem satisfeitos, não há porque contestar a felicidade deles. O culto à monogamia, aliás, é uma questão cultural”, diz a psicoterapeuta Jacqueline Meireles, que complementa: “biologicamente, o humano não é monogâmico, porque o corpo é só essência e prazer”, defende. Para casais sem maturidade emocional, diz ela, esse tipo de experiência deve se limitar ao plano da fantasia.

A universitária L.C, de 21 anos, divide, há oito meses, o mesmo teto com o namorado, de 31 anos, com quem se relaciona há um ano e meio. O casal diz ter aberto a relação para evitar eventual mal-estar caso um deles venha a se interessar por outra pessoa. “Não queríamos entrar na paranóia dos ciúmes por ver o parceiro envolvido com outro alguém. Não é o caso de sair à procura de um terceiro, mas se rolar, não sentimos remorso. É uma escolha prática, saudável e honesta. Apesar da liberdade, ao sair com outra pessoa, evitamos frequentar nossos lugares em comum”, divide L.C..

Para a servidora pública D.S.M., 24, que já protagonizou três relacionamentos “flexíveis”, um deles, inclusive, por mais de três anos, o envolvimento em relações paralelas, desde que acordado com o companheiro, não deve ser encarado como falta de respeito. “As pessoas supervalorizam a fidelidade, mas o que importa é a gentileza, o companheirismo, o zelo com o parceiro.

Meu namorado e eu nos amamos intensamente, priorizamos nossa rotina, o que não impede de vivenciarmos experiências superficiais”, defende D.S.M.. Também adepto da relação aberta, o universitário R.E., 24, acredita que suas três investidas amorosas duraram porque os envolvidos tinham um nível de motivação compatível e lidavam, de forma equilibrada, com a possibilidade de ver o parceiro sentir desejo por uma terceira pessoa.

A psicóloga Dilane Tavares, especialista em casal e família, mostra-se reticente frente a esses laços. Para ela, trata-se de um jogo de altos riscos, que requer um autocontrole excessivo em um funcionamento mecânico de drible das emoções. “As relações abertas representam uma forma de inovar para fazer dar certo uma união pouco promissora. Na verdade, isso favorece a insegurança”, diz.

Como amantes, ótimos amigos

Você, solteiro(a), para quem a proximidade do Dia dos Namorados nada representa, que tal seria aproveitar a solidão para listar os nomes da(o)s ex e identificar, ao menos, um que você não tenha condenado a “queimar no mármore do inferno”? Conheça histórias de ex-casais, que ao contrário de você e da torcida do Flamengo, superaram o desfecho do relacionamento e passaram a se entender melhor como amigos.

O analista de sistema Marcelo Costa acredita que o namoro com a publicitária Taiana Cavalcanti foi uma experiência importante para alcançar o nível de companheirismo atual. “Por conhecermos, a fundo, o temperamento do outro, temos hoje uma relação mais tranquila de amizade e criamos abertura para falar de qualquer assunto, inclusive de outros relacionamentos”. A universitária Widma Sandrelly também defende que a ruptura do vínculo amoroso não é determinante para o afastamento radical dos ex-parceiros. Ela diz ser uma questão de consideração pelo que, um dia, os ex-companheiros representaram na sua vida.

O universitário Éber Gonçalves, que já namorou a estudante, destaca a atual cumplicidade deles, sem o peso da cobrança e dos ciúmes causadores de frequentes brigas. Para os contabilistas Andréa Morais e Glaucio Frazão, a relação fraternal não prevê uma doação tão grande, nem obrigatoriedade ou compromisso. Ao optarem por preservar a amizade, mantiveram um clima amistoso para dividir vitórias e aflições.
Nesses casos em que o percurso afetivo permitiu aos ex-amantes maiores descobertas dentro de uma circunstância de amizade, é preciso estar atento, segundo a psicoterapeuta Jacqueline Meireles, ao eventual nível de ciúmes entre as partes. “Em uma relação fraternal também existe disputa e é normal. Quando os ciúmes se tornam exacerbados, é aconselhável o distanciamento, até para saber se a separação foi uma decisão definitiva”, comenta.

A psicóloga Adelma Vasconcelos ressalta que a amizade é uma relação mais livre, permeada por sentimentos altruístas, com foco no desejo da felicidade do companheiro. “Os sentimentos entre os ex-amantes passam a ser de outra ordem. O sofrimento não combina com esta nova circunstância escolhida. Pesa, somente, o simples prazer de estar na vida do outro, sem exigências”, arremata.

Psicoterapeuta Jacqueline Meireles - 8811.2263
Fonte: Folha PE


Nem sempre disponível Imposição de limites é fundamental na relação de amizade  

MÔNICA MELO


Os seguidores do ator Owen Wilson devem ter em mente os papéis emblemáticos que ele interpretou nas comédias “Penetras bons de bico” e “Dois é bom, três é demais”. Em comum entre as obras, a sagacidade de Owen para dar vida a inconsequentes que, apesar de terem apreço pelos respectivos companheiros de aventuras, costumam se colocar em primeiro plano na relação de amizade. A Folha de Pernambuco acionou especialistas que detalharam a importância da imposição de limites para sustentar o vínculo entre amigos.

A estudante de publicidade Tatiana Almeida sente-se, muitas vezes, sufocada por ter o hábito de abdicar de seus compromissos para se mostrar disponível a amigos que a solicitam. “Não gosto de contrariar a vontade de um amigo. Há situações em que me encontro sem tempo, mas dou uma parada para ouvir o próximo e já houve ocasião de eu sair sem vontade somente para acompanhar pessoas de quem gosto bastante. Confesso que, às vezes, sinto um pesar por compromoter algumas obrigações para ajudar um amigo”, comenta.

Conforme a psicoterapeuta Jacqueline Meireles, a amizade sugere respeito à individualidade. A pessoa somente se comporta de maneira invasiva quando os limites para o bom funcionamento da relação deixaram de ser definidos pelos envolvidos. “A amizade subtende os princípios do vínculo, da confiança e do respeito. As duas partes devem se sentir confortáveis no relacionamento. Quando um se sente incomodado, sufocado, precisa sinalizar a contrariedade ao companheiro. Toda relação tem regras”, salienta.

Para aqueles que estão mal acostumados e acionam o amigo de forma excessiva e inconveniente, a psicóloga Conceição Padilha é categórica: “É preciso considerar a autonomia do companheiro e preservar seus momentos reservados. Também se habilitar a ouvir os desabafos e as demandas do outro. A amizade exige negociação”.
Segundo Meireles, se as pessoas acreditam que a relação se pauta na intimidade, elas precisam colocar o quanto estão se sentindo cobradas, sob pena de se anular no relacionamento. “O amigo precisa superar o receio de a amizade acabar simplesmente porque contrariou a vontade do outro. Se este companheiro valoriza o vínculo, ele vai se interessar em melhorar”, acrescenta.

A psicóloga Conceição lembra que a falta de posicionamento por parte do indivíduo reflete imaturidade da estrutura psíquica. Assim, ele pode vir a estender esse tipo de postura para os relacionamentos de outros âmbitos, a exemplo do amoroso e do profissional.

Serviço
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Fonte: Folha PE


Solidão ou autonomia?


HUGO VIANA 


Há diferenças entre estar só e usar a solidão para aprender mais sobre si mesmo
   

“Saí recentemente de um relacionamento que durou pouco mais de dois anos. Eu me sentia sufocado, precisava buscar autonomia em relação a minha própria vida. E acho que essa relação especificamente me tirava a oportunidade de acentuar minhas caracterísicas pessoais”. Esse depoimento, feito por João da Silva, 28 anos, reflete de certa forma uma postura contemporânea, de usar os momentos de solteiro para aprender mais sobre si.

“A busca da autonomia é uma tendência natural em pessoas saudáveis. Para a psicologia clínica, há duas vertentes, uma boa e outra má. Quando a escolha é voluntária, ela é benéfica e ajuda a limpar a mente. Mas, se é imposta, torna-se opressora. Em linhas gerais, quando a solidão é uma coisa imposta, é desolação; quando é uma opção escolhida, é liberação”, explica a Conceição Veras Padilha, psicoterapeuta de Casal e Família e também sexóloga. E ainda complementa: “No silêncio, fazemos contato com o que realmente somos e é o momento quando nos permitimos resgatar a força interior para aprendermos a gostar da nossa própria companhia”.

O problema de experimentar essa autonomia na vida, como ponderou Conceição, é cair na solidão. A sociedade contemporânea possui uma relação disfuncional com a solidão: poucas pessoas realmente gostam de ir ao cinema ou a um restaurante a sós. Só que a psicoterapia não vê a situação dessa mesma forma: “É fundamental para qualquer ser humano ter um momento de introspecção, de reavaliação. É importante destacar que estamos falando aqui da solidão normal, inerente a todo ser humano. Isso é diferente da síndrome da solidão, de natureza patológica. O importante é não se colocar sozinho perante a vida, afinal, sentir solidão é uma situação normal da vida”, explica a psicoterapeuta Jacqueline Meireles, especializada em psicoterapia clínica e hospitalar.

Mas a busca por uma autonomia na vida não significa necessariamente que a pessoa vai ou deve estar solteiro(a). É possível aliar as duas coisas: a autonomia pessoal com um relacionamento saudável entre duas pessoas. “Tentar conciliar essas duas vertentes, a autonomia e a liberdade, no que se refere ao estar só ou junto com outro, torna relação bem mais rica. Porém, nem sempre o estar junto é necessariamente estar com o outro. Afinal, quando as pessoas se tornam mais autônomas, melhoram visivelmente a auto-eficácia, adquirem mais confiança e se tornam mais auto-suficientes”, explica Conceição.

E conciliar tudo isso num relacionamento que seja bom para as duas partes é algo complicado. A situação de João, descrita no início do texto, é algo presente em relacionamentos, experimentar a solidão a dois. Sobre o assunto, Jacqueline aponta que um casal pode sentir essa mesma sensação de falta de comunicação compartilhando um relacionamento. “A solidão pode ser identificada através do afastamento sentimental, da incompatibilidade emocional, da ausência de diálogo e consequentemente da perda do afeto. O casal pode passar pelo período de isolamento ocasionado pela falta de entendimento, fechando-se em seu universo afetivo. Ser só a dois é algo até comum nos relacionamentos”, explica Jacqueline.

De qualquer forma que seja, num relacionamento ou solteiro, a solidão deve ser vista como um momento para se conhecer. Mas quando a pessoa não consegue lidar com isso, talvez seja melhor buscar algum tipo de apoio. “Quando a solidão traz prejuízo a si ou a outra pessoa, daí a escuta se faz necessária, devendo-se buscar o apoio psicoterápico. Nesse momento, o importante é ir ao encontro da verdade e tentar administrá-la com o intuito de reverter, de forma gradativa, todos os sentimentos depreciativos vivenciados pela solidão”, aponta Jacqueline.

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Jacqueline Meireles
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Fonte: Folhape

Individualismo na relação a dois 

  HUGO VIANA

Psicólogos especialistas em terapia de casal falam sobre o lugar do individualismo nos relacionamentos


Qual a importância de manter a individualidade num relacionamento? Antes de levar adiante um compromisso sério é preciso se conhecer. Nessa busca de identificar a própria identidade, entender a solidão, qualquer um pode ser taxado de “individualista”. Só que esse momento é imprescindível para a melhor compreensão de si e dos limites pessoais. “Busca-se o amor do outro, mas muitas vezes nem aprendemos a nos amar. É preciso que cada indivíduo procure a identidade pessoal para chegar na felicidade como casal”, explica Jacqueline Meireles, psicóloga clínica e hospitalar, habilitada em saúde da família.

“É sempre válido investir na individualidade, mas nunca no individualismo”, aponta ela. A profissional lembra que, abdicar de hábitos individuais para satisfazer a vontade do outro, não significa necessariamente se apagar diante do par. “Mas não se pode abdicar de tudo e sempre. É saudável ter em mente que, antes do casal, há um indivíduo com anseios, sonhos e desejos particulares. É importante lembrar que ao satisfazer a vontade do outro a pessoa não precisa se anular”, pontua.

Para, a partir de todas essas nuances, desenvolver um relacionamento honesto, é preciso boa dose de maturidade. O casal precisa manter aberto um espaço para diálogo, estabelecer uma confiança mútua e, assim, investir tanto em momentos pessoais quanto na relação a dois. “Isso depende da confiança conquistada na relação entre as partes. Seja no amor, na amizade ou nas relações em geral, tudo é uma conquista. Falando de uma relação saudável, não patológica, é importante respeitar os ciclos e os ritmos de cada um. Para que a relação se mantenha saudável no dia a dia, é preciso que se permita ao outro ser o que ele ou ela é, destituído de fantasias, ilusões e projeções. Em qualquer relação é preciso que se estabeleça limites”, pondera Jacqueline.

Psicólogos concordam que também é fácil para essa busca pela individualidade desandar e acabar no egoísmo. A psicoterapeuta de casal Conceição Veras Padilha, que também é sexóloga, ressalta que não pode haver lugar para atitudes egoístas num relacionamento. “A indivudialidade é positiva, exceto quando se transforma em individualismo. Tratar uma pessoa como objeto, como algo que pode ser ‘descartado’, algo que pode ser observado em algumas relações, sinaliza o lado egoísta e obscuro de cada um, como se o outro estivesse ali apenas para satisfazer. Isso demonstra infantilidade e imaturidade na relação”, observa Conceição. E complementa: “O individualismo limita. Podemos até fazer uma analogia com os instintos primitivos da primeira infância, quando há uma busca pela satisfação pessoal. Torna-se um grande desafio para a manutenção da individualidade conciliar o amor por si próprio e o amor pelo outro, negociar esses dois desejos; o de liberdade e o de simbiose, adaptar sua dualidade ao parceiro na tentativa de ajustar o crescimento de modo recíproco”.

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Jacqueline Meireles
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Fonte: Folha PE







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