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29 de agosto de 2010

PLANO B

MÔNICA MELO

Revival: especialistas pontuam fatores de peso na decisão de casais em se dar nova chance

Viagens, de­cla­ra­ções, pla­nos, pre­sen­tes, cham­pa­nhe e flo­res. Seria esta, tal­vez, a con­for­ma­ção mais pró­xi­ma ao fa­mi­ge­ra­do “mar de rosas”. O que dizer, então, quan­do a tur­bu­lên­cia chega para um ao ouvir o com­pa­nhei­ro dar o ve­re­dic­to: “basta, não dá mais!”? Sob uma pers­pec­ti­va fria, resta, sim­ples­men­te, con­for­mar-se com o hiato de­fi­ni­ti­vo. Um qua­dro, pro­va­vel­men­te, mais com­ple­xo surge quan­do a pos­si­bi­li­da­de da volta exis­te. Especialistas des­do­bram, aqui, as con­di­ções bá­si­cas às quais os par­cei­ros devem ficar aten­tos ao se dis­po­rem ao re­vi­val.

A mé­di­ca Daniela Ferraz e o pu­bli­ci­tá­rio Thiago Almeida estão jun­tos há oito anos. Trajetória que in­clui uma la­cu­na de três meses de se­pa­ra­ção. Necessária, se­gun­do Daniela, para que o casal re­vis­se al­gu­mas ati­tu­des, como a pro­gra­ma­ção, na ro­ti­na an­ti­ga, de ho­rá­rios para se ligar ou se en­con­trar. “Hoje não exis­te tanta co­bran­ça, vol­ta­mos mais cúm­pli­ces, to­le­ran­tes, vimos o valor do que já havia sido cons­truí­do”, sin­te­ti­za a mé­di­ca. Já a uni­ver­si­tá­ria Karla Souza viveu um re­la­cio­na­men­to de idas e vin­das, ao longo de qua­tro anos. As ten­ta­ti­vas não foram su­fi­cien­tes, diz ela, para que o ex-par­cei­ro am­plias­se ho­ri­zon­tes pro­fis­sio­nais ou de­mons­tras­se maior en­vol­vi­men­to afe­ti­vo. “Não me ar­re­pen­do das in­ves­ti­das. Era mais cô­mo­do me man­ter com ele, não me ima­gi­na­va sem ele e, de fato, acre­di­ta­va na sua mu­dan­ça”, co­men­ta.

Para a psi­có­lo­ga Silvana Molina, ao se ha­bi­li­ta­rem a vol­tar, os en­vol­vi­dos pre­ci­sam estar dis­pos­tos a re­no­var, a en­xer­gar di­fe­ren­ças e de­sa­cor­dos como ele­men­tos co­muns à re­la­ção. É ne­ces­sá­rio, diz a es­pe­cia­lis­ta, apren­der a lidar com as fra­gi­li­da­des que de­ses­ta­bi­li­za­ram a vida a dois e par­tir para a re­cons­tru­ção, im­buí­do da pers­pec­ti­va de mu­dan­ça. “Os par­cei­ros não devem ficar pre­sos ao pas­sa­do, mas pre­pa­ra­dos para se rein­ven­tar e lidar com as co­bran­ças so­ciais e fa­mi­lia­res por­que nem todos os co­nhe­ci­dos do casal são fa­vo­rá­veis à volta”, acres­cen­ta a psi­co­te­ra­peu­ta Mônica Caluete, para a qual con­ve­niên­cia, pra­ti­ci­da­de ou eco­no­mia de es­for­ços não devem fi­gu­rar entre as mo­ti­va­ções dos com­pa­nhei­ros em uma even­tual re­con­ci­lia­ção.

Na visão da psi­co­te­ra­peu­ta Jacqueline Meireles, o dis­tan­cia­men­to, a rup­tu­ra, mui­tas vezes, pos­si­bi­li­tam que os en­vol­vi­dos re­co­nhe­çam o peso do outro para sua vida. No en­tan­to, o amor, tão so­men­te, não sus­ten­ta a re­to­ma­da da re­la­ção. É ne­ces­sá­rio aos par­cei­ros, pon­de­ra a es­pe­cia­lis­ta, ter afi­ni­da­de, olhar jun­tos em uma mesma di­re­ção, ter com­pa­ti­bi­li­da­de em ter­mos de ­ideais, pro­je­tos de vida. No caso de se­gui­rem jun­tos, sa­lien­ta Caluete que não é bem-vinda a co­bran­ça pelo par­cei­ro com re­la­ção aos pas­sos do outro du­ran­te a fase de se­pa­ra­ção. “A rein­ci­dên­cia de ati­tu­des ou sen­ti­men­tos cau­sa­do­res das di­ver­gên­cias e afas­ta­men­to do casal ser­vem para os en­vol­vi­dos re­pen­sa­rem a de­ci­são de vol­tar”, en­cer­ra Caluete.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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