Aprendendo a ser mãe

Uma das funções mais antigas é a maternidade, biologicamente, o corpo da mulher desde a puberdade se prepara para receber esse milagre.  Esta sem duvida é a transformação mais intensa que o corpo vive, onde a estrutura corporal e hormonal se desarmonizam para aceitar o novo ser como pertencente.
Nesta fase o filho esperado é imaginado, idealizado, e o lado gratificante da maternidade vai sendo aflorado com projetos, sonhos e bastante expectativa, surge o desejo de amamentar o filho corretamente, torná-los mais inteligentes, educados, estudiosos e felizes.
Com o nascimento do bebê este que antes era imaginado passa agora a ser real, aquele que chora sem parar, não sabe dizer o sente o que dificulta aos pais identificar o significado de cada choro. Esse filho real também acorda no meio da noite, fere/racha o seio durante o mamar e coloca em duvida a aptidão materna inata.
Essa é uma realidade de muitas mães que acabam sentindo-se culpadas e sofre por não entender os vários sinais que o neném emite e que chamado instinto materno ainda não consegue captar.
Ser mãe é um aprendizado constante, os bebês vão ensinando a todo o momento, reclamam quando não gostam ou estão incomodados com algo, sua comunicação se faz presente através dos sons e do choro.
Segundo Winnicott, o melhor que uma mulher real pode fazer pelo filho é ser , no começo, suficientemente boa em termos sensíveis, de tal modo que, desde o início a criança possa ter a ilusão que a mãe suficientemente boa é o seio bom.
Ele nomeia como mãe suficientemente boa, aquela que dá ao filho mecanismo suficiente para ele crescer e se desenvolver afetivamente, em um ambiente acolhedor e tranquilo. Defende ainda que, a personalidade do indivíduo e formada através das experiências da infância.
É sabido que todas as teorias nunca darão conta das reais angústias vivenciadas pelos pais, que se depara com o pequeno ser indefeso, mas cheios de atitudes, necessidades e solicitações, o filho sereno, calminho era apenas um sonho, o filho real reinvidica.
É assim que ocorre no desenvolvimento humano como um todo, as crianças crescem, entra na adolescência e continuam sinalizando. Na fase adulta o sujeito aponta a todo o momento seus traços de personalidade e comportamentos.
O crescimento não é apenas físico e biológico, a o crescimento moral, ético e intelectual sendo lapidado e transformado de acordo com as necessidades e demandas. Filhos sempre serão filhos, independente de que faixa etária estejam, estarão eles ensinando aos pais e aprendendo com eles.
Através da relação de troca, amor e divergências o ser humano amadurece.
A maternidade apenas é o começo de todo um histórico de evolução e crescimento, de lado a lado deste aprendizado diário os pais se tornam mais humanos, sensíveis, protetores e conscientes do que seja o verdadeiro amor ao próximo.
Através do exemplo os pais ensinam...
E através dos sinais os pais aprendem...



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora


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