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16 de agosto de 2011

A distância não permite intimidade


A palavra intimidade remete a muitos sentidos, para uns parti da relação sexual, já outros a intimidade surge da convivência, vivência e história pessoal. De modo geral a intimidade está ligada a sentimentos de afeto, quer seja no processo particular ou entre as relações.
O século XXI está sendo contemplado por muitas transformações, não só no contexto social, como também no relacional.  Existe sim uma sensação de proximidade, mas está nem sempre é real. Há uma tentativa de ajuntamento. Prova disso são as redes sociais, que surgem como alternativas interpessoais no sentido de promover união, bem como preencher lacunas igualitárias.
De algum modo a internet facilita e promove encontros, parentes distantes que por força maior tenham pouco contato, hoje tem a possibilidade de estarem mais próximos. Contudo para outros nem mesmo essa ferramenta exerce a função de coligação para tal ligação.
Ao falar de intimidade muitas questões surgem principalmente no que diz respeito a sentimento e a afetividade, está sem dúvida é a pior distância. Quando os sentimentos são abolidos pela falta do cultivo do afeito perde-se um pouco da familiaridade.
O afastamento social é sempre um tema que leva a grandes reflexões, entretanto não existe distanciamento mais significativo que o do sujeito para consigo mesmo, ao entrar em contato com seus sentimentos e emoções o indivíduo tem a possibilidade de identificar possíveis dificuldades relacionais.
Quanto mais a pessoa aproxima-se de si mais irá adquirir força, convicção e equilíbrio, tais atitudes permitem ao sujeito entender suas necessidades e o direciona a trabalhar conflitos antes transferidos e depositados nos outros.
 A distância não permite intimidade, porque ser intimo significa respeitar o espaço relacional seu e do outro, entender que todos têm limites, além de compreender que existe algo em cada um que precisa ser preservado.
Cobra-se intimidade, exigisse cumplicidade, sem ao menos buscar trabalhar seus próprios sentimentos e verdades, transmitisse uma honestidade digna de investigação. Fato este que, não abrimos nossa intimidade para qualquer um.
Fantasiamos saber, conhecer a verdade do outro e construímos assim uma intimidade protegida, ao certo existe privacidade na intimidade. Ninguém revela o que não quer, em geral cada sujeito mostra apenas uma pequena centelha de sua vida intima.  
Quando entregamos nossa intimidade para o outro significa dizer que existe ali confiança, afeto, respeito. Podemos viver anos com alguém, estar enamorado, casado ou mesmo viver em meio familiar, isso tudo sem sermos íntimos, sem trocas. Dizemos morar juntos, viver juntos, estar juntos sem que haja sintonia, afinidade envolvimento.
O fato de subsistir em um mesmo ambiente não significa dizer que possamos desenvolver contato intimo ou que exista uma boa relação, neste sentido o fator geográfico pouco importa, o que vai influenciar  é o que cada pessoa consegue ofertar, trocar, oferecer de bom, em suma a reciprocidade.
Estar junto não constitui contato, este só existe através da similaridade, das afinidades e cumplicidade. Não é nada fácil conquistar a intimidade do outro, principalmente quando julgamos conhecê-lo através de uma óptica banhada de pré-conceito.
Estar junto não é estar próximo.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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