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24 de maio de 2010

A família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é sua própria identidade.

"Gurdjieff"

Na contemporaneidade as mudanças da organização familiar são visíveis, afetadas pela globalização os avanços tecnologicos vêm favorecer uma integração entre as culturas. A respeito da estrutura familiar é evidente que em qualquer situação deve haver leis e normas. Sua força está no legado que há tempos vai se propagando de geração em geração.

Para a psicanálise, o social e o cultural são analisados pela dimensão do inconsciente, à luz do interjogo dos mecanismos psíquicos nos quais o indivíduo e a família se entrelaçam. O sujeito é visto como aquele que deseja. A família é a célula da sociedade. Porém para viver em sociedade o homem tem que ter normais e valores e é justamente esse o papel da família.

À medida que as pessoas nascem vão ocupando um lugar particular no núcleo familiar, isso começa desde a formação ou até mesmo o planejamento em ter um filho, onde os pais darão significados a toda aquela estrutura já montada. Toda essa questão configurara a força que irá se estabelecendo nos laços familiares.

As relações estabelecidas nas famílias de nascimento são as mais importantes para a vida, e irão representar a base para o comportamento futuro. Desde a infância a experiência adquirida no grupo familiar vai tomando forma terá um grande significado para a criança e pode ser repetida e perpetuada nas próximas gerações.

Essas experiências envolvem cultura, moral, valores. Crenças das gerações anteriores, vão influenciando, sem que o indivíduo perceba as suas decisões e escolha afetivas, sexuais e profissionais, como introjetando vozes em seu interior.

A grande dificuldade da família é permitir que seus membros se diferenciem enquanto indivíduos, concedendo seu espaço dentro da à família de modo a desenvolver sua independência, a partir daí esse individuo poderá se descobrir como ser criativo, com potencialidades e capaz de fazer escolhas, trilhando seu próprio caminho, sem culpa ou medo, mas com refúgio e apoio de seus membros.

É sabido que as gerações têm um peso bastante significativo para a constituição do individuo, quer seja no repassar seus mitos, vivências e repetições já predestinadas. Porém o que irá sustentar esses mitos é a forma como a família percebe e organiza seu próprio núcleo.

Quando o individuo não escontra espaço no ambito familiar se instala a palavra vazia, está que remete ao não dito e pode se encher de várias colocações. Esse vazio não faz referência a silêncio, mas à palavra sem linguagem, aquela que é dita mas não escutada em seu significado, sendo distorcida, fragmentada e até barrada pelo outro. Há ainda uma dimensão do silêncio que remete ao caráter de incompletude da linguagem, uma vez que todo dizer é uma relação fundamental com o não-dizer.

O dialógo ainda é o meio mais rico e eficaz nas relação interpessoas, sem ele não existe troca, amadurescimento e muito menos civilização. A linguagem verbal e a que nos diferencia dos animais e nos coloca em contato com o mundo.

A vida está nas palavras promunciadas, não existe palavra vazia, existe palavra sem vida.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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