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29 de abril de 2010

O amor faz parte da vida, compõe a vida, mas não é um projeto de vida.

Todos buscam amar e ser amado, o amor romântico há tempos findou ainda que muitos tentem ressuscitá-lo. A idéia da perfeição, da plenitude do amor sofrido, intenso, efervescente não existe mais. As historias de amores arrebatadores como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda relata um amor ardente e impossível de ser vivido.

Ainda na atualidade pode ser observado que quanto mais a obstáculos na relação dos enamorados mais resistentes eles se tornam, criam verdadeiras barreiras protetoras, entretanto, a convivência, os interesses econômicos e objetivos divergentes sedo ou tarde esbarra nessa relação.

Os casamentos séculos atrás eram realizados por motivos econômicos e políticos, afinal a junção das posses familiares dava mais poderes as famílias envolvidas. Esses contratos eram recebidos e aceitos, o que tornava os casamentos mais duradouros.

Na atualidade o amor romântico ainda tenta ser resgatado, o amor cheios de sonhos e idealizações, amores de novela, onde a mocinha sofre, sofre, sofre para no fim ter seu tão esperado final feliz.

O amor romântico passa por muitas exigências e sofrimento, as pessoas vão se dando conta que por mais que tente vivenciar esse ideal de amor é impossível, não passa de conto de fadas.

Na realidade o relacionamento é construído baseado em outros princípios, não existe relação entre personagem, existe sim relação entre pessoas.

É no cotidiano que as idealizações, projeções, frustrações e desencanto aparecem, o que é natural, devido ao clímax da paixão os casais tendem a idealizar qualidade e perfeição que o outro nem se quer possui.

É através da intimidade que os enamorados iram perceber que para a união dá certo é preciso muito mais que amor, deve haver sobre tudo respeito à individualidade, sintonia entre o casal, relacionada principalmente aos objetivos comuns de vida.

Quando o relacionamento esfria uma das possibilidades é que o casal não teve estrutura emocional, afetiva e cultural suficiente para sustentar a relação, ou seja, tem que ter maturidade.

O amor faz parte da vida, mas não pode ser considerado um projeto de vida, ele compõe esse projete, mas não é o próprio projeto, a vida de uma pessoa vai além das relações amorosas.

Pode ser um sinal de perigo, quando o amor passa a ser o centro na construção de vida das pessoas e se torna o foco dessa vida, que limita, sucumbe e sufoca o parceiro sem deixar brechas.

O amor necessita de pessoas inteiras e não duas metades, quando um parceiro vem inteiro e recebe o outro inteiro trás com ele a possibilidade de uma união mais completa e madura, uma união de gente grande, sem tratamento infantil.

Ao entender que a realidade pode ser prazerosa e segura, o casal se dá a oportunidade de vivenciar esse amor com leveza e confiança.


Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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