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10 de junho de 2010

A natureza feminina e suas escolhas objetais

 Ao longo da trajetória da psicanálise, a visão da sociedade em relação à mulher passa por vários momentos.

Ao falar sobre a sexualidade feminina surgem variáveis que de certa forma vem contribuir para o estudo, no caso dos tabus sexuais, na mulher sempre foi negada o prazer, seus “órgãos sexuais” eram visto como função unicamente reprodutora, tendo que suprir seu prazer com “arte”, no sentido do ser mãe e esposa (do lar), não mulher.

Dessa forma, muitas mulheres direcionam seu gozo para outras funções fora do desejo sexual, cuja busca pelo prazer sexual vai se tornando um sonho cada vez mais distante do corpo, não só do corpo físico, também do psíquico.

O complexo de castração vai influenciar em suas escolhas objetais, quer seja emocional, profissional ou sexual. Contudo, é bom salientar que a passagem positiva ou negativa ira depende exclusivamente da forma como cada pessoa atravessa a sua castração.

A energia sexual feminina muitas vezes se utiliza dessas “trocas objetais” com a finalidade de manter o equilíbrio psíquico em detrimento das pulsões sexuais existentes.

Neste sentido, a mulher moderna trás consigo marcas psíquicas de repressões sexuais, medos e angustias. Para poder lidar com todos esses conflitos internos, ela tende a sublimar, transformar essa energia libidinal em algo satisfatório, reconhecer sua força, desvendar esse “estranho senhor” que rege suas sensações e sentimentos.

Historicamente as mulheres foram em sua maioria verdadeiros instrumentos dos interesses sexuais da humanidade, e ao sofrerem as desilusões do casamento tendiam a contrair graves neuroses que lançaram grandes sofrimentos sobre suas vidas.

É notório que, quanto mais severa houver sido a educação sexual feminina,  mais seriamente ela se submeterá às exigências da civilização, mais receará recorrer a outras saídas, ou seja, no conflito entre seus desejos e sentimento de dever, mais uma vez se refugiará na neurose.

Com a chegada da modernidade, a mulher se encontra fazendo escolhas objetais antes designada exclusivamente masculinas, com isso a mulher assume um novo papel na tentativa de resgatar esse prazer castrado, saindo de um lugar antes passivo para um lugar ativo, na busca dessa completude fálica.

A hipermodernidade também trouxe alguns conflitos para essa mulher, no que a remete as modificações familiares, liberdade sexual, mudanças na forma de procriação e criação dos filhos.

Embora não se apresente claramente, a castração feminina vai peregrinar ao longo da vida, levando-a a escolhas e sacrifícios na tentativa de ser reconhecida em sua sexualidade e prazer sexual.

Porém, mesmo assumindo vários papeis a mulher frustra-se ao perceber que diante de toda essa busca, no lugar da completude está o sentimento de vazio, pois ao tentar “igualar-se com este homem” ela tende a se perder em suas próprias escolhas, desejos, prazeres e gozo, quando não a extingui-los.

Ser mulher não é dar conta de tudo, mas ser feliz com o que se pode dar conta.


Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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