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24 de agosto de 2010

Amor com Sexo ou Sexo com Amor

Muito se fala a respeito do sexo e do amor, porém como vivenciar de forma satisfatória estes dois opostos? Sexo nada tem haver com amor, ambos são prazeres distintos que quando em sintonia enriquece a relação a dois.

Fisiologicamente o ato sexual permite ao corpo ser condutor dessa fonte de prazer, o corpo serve como mecanismo sinalizador. Nele são vivenciadas as mais variadas sensações, emoções e excitações em relação ao prazer ou desprazer.

Já o amor parte pela vertente emocional, ligada as emoções, afetos e desejos de completude, também sentidas por este corpo.

A mulher durante muito tempo foi negado o prazer sexual, castrada a possibilidade de exercer sua energia libidinal, neste contexto só o homem teria este privilégio.

Porém com o movimento feminista e suas lutas por direitos iguais, foi dada a mulher o direito de tomar posse do seu próprio corpo e consequentemente do seu prazer. Talvez o movimento não imaginasse chegar tão longe, mas foi a partir daí que a mulher buscou ser reconhecida e si reconhecer enquanto dotada de possibilidades no que a remete ao prazer sexual.

É notório que ainda existam muitos tabus em relação ao fato da mulher exercer sua sexualidade de modo satisfatório e sem culpas, como no desejo em desvendar esse sonhado prazer sexual, inclusive no ato masturbatório que ainda a ela é negado.

Ocorre que muitas mulheres procuram unir o amor e o sexo como uma espécie de simbiose, onde um faz referencia ao outro, um é extensão do outro, propiciando deleite pleno entre o corpo, sensações e afetos.

Para os homens, o ato sexual sempre foi mais aceito, estimulado e permitido. Eles sabem muito bem como separar as relações sexuais das relações afetivas, pois no momento do ato sexual seu corpo está em função de suas pulsões libidinais pela busca do prazer.

O sexo quando em fusão com o amor proporciona ao casal momentos íntimos de troca e entrega plena. Ser, exercer e tomar posse do seu corpo/mente e emoções demarca um lugar de completude.

No momento do ato sexual, quando este é cercado de amor e afeto, o casal tem a possibilidade de sentir-se em “simbiose”, ocorrendo neste momento uma intensa e completa troca de energia libidinal.

Falar de sexo, do prazer sexual nem sempre é fácil em nossa sociedade, até porque muitos já associaram o sexo como algo sujo, pornográfico e vendável. Fato este que precisa ser revisto, pois o sexo é tão importante para relação quanto o amor, ele é vida, faz parte da natureza humana e pode ser vivenciado com ternura e afeto.

O ato sexual, a sexualidade deve ser vista como algo natural inerente ao ser humano, tanto quanto o amor e o afeto. Nega seu corpo, seu prazer e sua sexualidade é castrar-se, e ao mesmo tempo tamponar os desejos libidinais, todos esses fatores podem desencadear doenças de ordem físicas e psicológicas, sendo está à única forma encontrada pelo psiquismo para falar, sinalizar que algo não está em sintonia.

"Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas." Fernando Verissímo



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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