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11 de julho de 2011

OUTRO LADO FAMÍLIA


Formar vínculos não é fácil, dilemas e representações pouco objetivas permeiam as relações e atacam os núcleos sociais. Estar junto denota acolhimento, vínculo, tais variáveis auxiliam no desenvolvimento e na constituição do eu.
O individuo é um ser de relações por natureza, sendo social existe a necessidade de congregar, unir. Mas, o sentimento de união e harmonia no grupo familiar nem sempre e compartilhado de igual modo por todos.
Diferentes dinâmicas geracionais resultam em grandes dificuldades de entendimento, além disso, o novo contexto educacional, social e cultural tem transformado a maneira de pensar. Hoje o sentimento de pertencimento está se tornando cada vez mais distante.
Quando afastados do olhar parental os sujeitos se autorizam a fazer escolhas, eleger seus relacionamentos por afinidade, buscar relações por meio de identificações o que os auxiliam na formação de grupos externos.
O indivíduo quando lançado no ambiente exterior longe do habitat do lar, tem a possibilidade de exercitar suas capacidades, aptidões essas que geram autonomia nas relações interpessoais.
Entretanto, quando o assunto é família, as antipatias revogam e são veladas pelo sentimento de pertencimento, mas o que fazer com a “ovelha desgarrada”, está que ameaça ruir toda a base parental. O sujeito que ousa a construir seu espaço pessoal passa por um árduo caminho.
A convivência leva muitos indivíduos a esquecer seu lado particular em prol de uma coexistência com o outro. As convenções dizem que é importante manter as aparências para o benefício de todos.  
E os parentes, descendentes distantes e até ausentes, quando não longínquos pela força geográfica, se faz pela força drástica da falta de união, da exclusão. Parente, aquele parecido, porém afastado, também é diferente dos demais, pode até saber a respeito do outro, mas por ecos que o trás.
Imaginar família é se transportar no mundo de afeição, seios fartos, leite abundante, braços fortes e acolhedores, no entanto há ainda nela atitudes repressoras, desafiadoras e questionadoras.
Quem se arrisca sair do pensamento coletivo de suas raízes?
Ainda que a tal solidão seja difícil de aguentar, raro é o sujeito que se habilita a abrigar o vazio individual, o vazio parental, paternal, maternal e existencial. Ainda assim existe um grupo do outro lado que chama, convida, convoca.
Como atender ao chamado familiar sem se despersonalizar, sem deixar-se invadir, sem ferir os preceitos institucionais da sagrada família?
Viver é ser uno em meio a tantos unos.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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