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30 de agosto de 2011

“A culpa é do casamento”


"Eis que chega o casamento, união dos sonhos, onde os desejos são multiplicados, compartilhados e felicitados."
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Uma das decisões mais significativas para a maioria das pessoas ainda é o matrimônio, este tem valor imensurável, trás modificações não só a nível pessoal, mas especialmente no que refere às relações psicossociais.
Isto porque o casamento vem regado pela comunhão das relações interpessoais, da vida social de ambos os cônjuges, onde laços sócio-familiares se expandem. A família cresce e em quase que igual proporção os conflitos. Casamento não é fácil, muitos dizem! 
Renunciar, agradar, convencer e agregar não é simples.
Depositam-se muitos sonhos e desejos no outro e junto também as frustrações. Abraçar sem se perder, estar junto sem se esquecer, eis o desafio. Há uma tentativa de culpar o casamento como se esse fosse algo delirante e abstrato, um lugar onde não existem sujeitos, apenas situações e coisas.
O matrimônio é feito por pessoas que juntas de algum modo tem sentimentos em comum, gostos semelhantes e sentem vontade de estarem perto.  O problema muita vezes ocorre quando existe uma invasão deliberada dos outros na relação.
O que transforma o casamento em uma 'comunidade' são as intromissões alheias, estas dificultam ainda mais o entendimento e a consolidação da relação. As interferências podem transformar a união em uma congregação ainda mais complexa de ser administrada.
Quando o casal permite que todos invadam sua vida intima, está deixa de ser reservada, por estar vulnerável e desprotegida transmite certo poder ao coletivo, neste sentido aos outros é dado o direito de opinar, avaliar, modificar.
O casamento é constituído e composto pelo casal, estes devem procurar ser os protagonistas de sua própria história, buscar juntamente com o seu par decidir que tipo de relação espera e deseja ter, que tipo de casamento almeja construir.
Na aliança, os valores, ideologias e educação farão parte dessa união, ou seja, o que foi aprendido durante anos de convivência familiar se misturará a outras informações que poderá ou não ajudar o casal positivamente nesse processo de inclusão, mas ter consciência e entender o que não serve para essa nova família é essencial.
Cada casal vai estabelecer qual tipo de contrato pretende formar, o que quer continuar, construir ou transformar, cientes que não é preciso fazer tudo igual, repetir histórias passadas e sofridas. A própria evolução dos tempos sinaliza isso, foi através das mudanças culturais, sociais  e familiares que as pessoas evoluiram, hoje há novos padrões familiares.
Os casamentos atuais estão ganhando outros formatos, esses recentes modelos de uniões surgem com contornos, tendo o principal objetivo se adequar a outros protóticos de união. É evidente que mudar não é fácil, mas quando os sujeitos reconhecem o valor que tem a mudança consequentemente sentem a necessidade e buscam melhoria.
Geralmente o casal tende a buscar culpados para o desentendimento e a falta de conexão a dois, o que dificulta ainda mais o entrosamento e a possibilidade de harmonia, quando entendem que não existem culpados, os conflitos perdem força.
Contudo, há gritos sufocantes de raiva, desejos, sonhos e necessidades reprimidas. Em suma, o sujeito escolhe seu par e acredita que pode mudá-lo, não é que o individuo não mude, mas deve existir nele primeiramente a vontade ligada à necessidade de mudança.
Ninguém muda em solidariedade ao outro.
Então...
Se você encontrar alguém disposto a caminhar na chuva do seu lado, não fuja; molhe-se.” (Contardo Calligares)


 Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora




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