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13 de setembro de 2011

Há muitas casas, poucos lares


A casa é um ambiente que sugere coordenação, conforto, ordem e disciplina. Todos os indivíduos sonham em constituir um lugar com tais características, mas nem todas as casas são lares. O lar trás, além disso, outro significado vem do pressuposto do afeto, amor, carinho, acolhimento e aconchego.
A construção de uma casa é bem diferente da construção de um lar. É através da família que a identidade do indivíduo começa a ser formada, parte dela a edificação de união, alicerce e segurança. Também é na família que o sujeito aprende e sente tantos outros tipos de sentimentos, esses não muito agradáveis de serem experimentados, como a inveja, rivalidade, ciúme e indiferença.
Ainda assim a família tem um forte significado de apoio e o grande sustentáculo de nossa sociedade. Este imenso grupo representa a ampla casa, mas poucas são as que conseguem ser um copioso lar. Nesta residência interna, os sentimentos são depositados muitas vezes de qualquer forma, entulhados, bagunçados e até quebrados, o que representa o desamor, desamparo, sofrimento.
São móveis amontoados, abandonados, puros lixos mentais, regados com pensamentos nocivos, auto-destrutivos e paredes que sinalizam imensas resistências, rachaduras, verdadeiros muros  de concretos emocionais, autênticas armaduras, casas saturadas de sentimentos e emoções prejudiciais.
Fazer uma arrumação interna, transformar essa imensa casa em um lar, com pensamentos e sentimentos maduros, equilibrados e uma tarefa que exige disciplina e vontade. É importante enfrentar o desconhecido, os medos, o inquilino nada íntimo, quase um estranho.
O fundamental é saber não só cuidar do seu espaço interno, mas principalmente saber usufruir desse lugar, buscar transformar seu interior em um ‘ambiente cinco estrelas’, se dando a oportunidade de aprender, crescer, trocar, modificar e utilizar cada pensamento, sentimentos de forma construtiva, ou seja, saber aproveitar seus espaços da melhor maneira.
Jogar fora o que não serve, plantar sementes de esperança, auto-estima, cultivar valores, melhorando assim seu ambiente pessoal, interpessoal e relacional. Entender que a melhor afinidade a priori é sempre aquela do sujeito com ele mesmo.
A ordem gera harmonia, crescimento, dinamismo e organiza as idéias, se o corpo é a casa do psiquismo, onde nele são depositadas as emoções, os olhos são as janelas que refletem o bem, o espelho interior, aquele que tanto absorve, quanto permite a entrada de fluidos positivos, transmite luz, carinho e beleza.
Diferente de uma casa sem teto, sem chão, sem nada, feita com esmero, na rua dos bobos e números zero. O lar trás segurança, confiança, amor e equilíbrio, permite identidade, apresenta personalidade, sutileza e o refinamento que só o afeto propícia.
O lar está na mente, faz parte dos pensamentos, sentimentos e emoções, seu lar é você e está em você, no que você aprende e também transmite. 
Em uma casa ou em um lar? Escolha onde você quer morar!



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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