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9 de junho de 2009

CLÍNICA PSICANÁLITICA

O cliente que chega ao consultório, cheio de conflitos e incertezas, trás consigo um passado e um presente de sofrimento psíquico, sem muita clareza, como se tudo estivesse concluído e acabado, mas será que está?

Ao acreditar que tudo está concluído, enche-se de ilusões de si e dos outros, negando sua realidade, porém não há como negar a si próprio por muito tempo, fugir então nem pensar, pois onde quer que vá leva consigo seus conflitos, medos e culpa, despertando nele o inimigo voltado contra si.

Em pensamento o sujeito duela insensantemente, na tentativa frear seus instintos pulsionais. Estando ele fragmentado e dividido em seus conflitos cheios de desejos.

Busca uma completude imaginária na tentativa de abolir a divisão, diante dessa procura desenfreada, ou melhor, desesperada, tende ele a repetir sua história de sofrimento, pois se de um lado estão todas as fantasias e imaginações a respeito do futuro em si, por outro, a realidade lhe pára, diante do acesso a esse objeto desejado.

Partindo em busca desse objeto de desejo, o homem tenta atingir um ideal que só existe em seu imaginário, terminando por assim dizer no emaranhado de repetições e oscilações conflitavas em detrimento do objeto perdido de sua vida.

Com isso, o homem passa a vida procurando a felicidade, mas ele a coloca em um objeto que muitas vezes está fora do seu alcance, apresentada cheia de ilusões, deslumbre e fantasias, sendo que tudo isto termina o frustrando e o angustiando. Se tivesse consciência que só depende dele a felicidade não precisaria buscá-la fora de si, mas dentro de si, saindo desse ideal imaginário.

Desse modo, não há como fugir de si mesmo, então ele vai tenta sanar essa angústia através, da arte, religião e cultura. Ao analisarmos essa dinâmica da transferência, veremos que tudo faz parte de um "mecanismo de defesa", e quando tudo isso falha o homem se vê perdido, confuso em seu “buraco negro” mental.

Acredito que vivemos peregrinando pela aprovação do outro que se quer conhecemos. Como se esse outro soubesse quem somos, e quem ele é, porém percebo ainda que tentar se esconder não apagará a imagem do espelho de nós mesmos, fragmentados, despedaçados e descompensados. O que importa é juntar os pedaços e tentar enxergar além do visível, tentar se olhar de verdade.

Finalizo repetindo a seguinte frase que Hermann Hesse faz Demian dizer a Sinclair: “Sempre é difícil nascer. A ave tem que sofrer para sair do ovo, isso você sabe. Mas volte o olhar para trás e pergunte a si mesmo se foi de fato tão penoso o caminho. Difícil apenas? Não terá sido belo também?”



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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