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15 de julho de 2009

Família: "Um diálogo de surdos"

Nossa sociedade vem atravessando mudanças significativas no ciclo de vida familiar e a falta de diálogo entre seus membros pode por vezes causar um certo distanciamento principalmente se os interesses são divergentes.

Quando a escuta é mal compreendida poderá conduzir a um "diálogo de surdos", onde ninguém ouve ninguém, sendo a conversa recebida de forma distorcida e fragmentada. A falta de comunicação na esfera familiar pode minar os relacionamentos entre seus membros, perdendo assim o “tato” no tratamento entre os mesmos.

É notório o quanto os integrantes de algumas famílias trazem em si determinados conflitos em cada momento. No parentesco somos iguais e ao mesmo tempo tão diferentes. O meio familiar ao mesmo tempo em que transmite segurança levanta questionamentos.

As divergências de opiniões, aquelas mesmas que causam os conflitos, sevem também para o crescimento pessoal e porque não o crescimento do grupo familiar, porém isso só ocorre quando se percebe que é possível melhorar e aprender com as diferenças sem precisar cristalizar.

A conversa sobre o problema pode resultar em soluções, porém a falta de diálogo no âmbito familiar muitas vezes acaba em monólogos, podendo ocasionar até mesmo em um novo desentendimento. A verdade é que a conversa na família nem sempre é fácil, entretanto não deve deixar de ser tentada.

No meio familiar podemos encontrar uma grande dificuldade de comunicação em ouvir o que outro tem a dizer, com isso os conflitos ficam cada vez mais difíceis de se extinguir. As pessoas não querem perder tempo com tantas bobagens, porém os conflitos, justo eles, são cercados destas tantas bobagens que pode acabar num jogo de poderes.

Na atualidade as famílias pouco são vistas como manutenção das tradições, afinal que tradições? Essas também podem estar ultrapassadas, não há troca, respeito ou mesmo simples conversas nos encontros familiares, esses encontros são utilizados muitas vezes para resgatar problemas passados e tantas outras bobagens mal resolvidas.

Se entenderem que não precisam, necessariamente, ter as mesmas opiniões e concordarem com o que os outros pensam, mas estar disponível a ouvir o que o outro tem a dizer, mesmo que no final fique cada um em sua posição, sem mágoas ou agressões, terão possibilitando ao grupo familiar a oportunidade de um crescimento maior.

O ser humano pode aprender sempre, daí vem o amadurecimento através das experiências consigo e com o outro. Do mesmo modo que se aprende a conviver socialmente também se aprende a conviver familiarmente, todavia o aprendizado vai depender da disponibilidade em aceitar e em ouvir o ponto de vista de cada um. Então, qual é o seu?

Importante destacar que a rigidez mata os bons sentimentos!

Visando complementar essa fala destaco o texto abaixo que traz uma definição de família na visão de Noélio Duarte.

Família.
Família...
Todos temos, dela viemos.
Nela nascemos...
Então crescemos.

Para uns,a família é só o pai,
para outros, só a mãe,
muitos só têm o avô...
Mas é família:
sinônimo de calor!

Tem família que é completa, repleta, discreta, seleta, aberta...
Outra, é engraçada, atiçada, afinada, engrenada, esforçada, empenhada...
Mas tem família complicada, indelicada, desajustada, desacertada, debilitada...

Família...
Família é assim:
lá não temos capa - nada nos escapa!
Máscaras, como usar?

Não, não dá prá enganar!
Às vezes queremos fingir, mas isto é apenas mentir...

E, é lá dentro de casa que surge, cresce, aparece, o lobo voraz, o urso mordaz, elefantes ferozes, (com trombas e tudo)leões velozes com unhas e dentes inclementes...

Família...
Família é lugar onde convivem os diferentes:
um é risonho, outro tristonho;
um é exibido, outro inibido;
um é calado, outro exagerado;
um é cabeludo, outro testudo;
um é penteado, outro descabelado...

Família...
Família é assim:
nunca é possível contentar, pois onde há diferenças, haverá desavenças.
Como a todos agradar?




Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

3 comentários:

  1. É muito importante que haja respeito pela individualidade de cada membro da família, para que seja possível uma convivência saudável. O cuidado com as palavras ditas é fundamental. Muitas vezes achamos que por ser da família podemos falar qualquer coisa que seremos perdoados, e não é bem assim. As palavras machucam e a relação fica comprometida, seja relação conjugal ou pais e filhos. O diálogo precisa fazer parte da reelação familiar.

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  2. Concordo com o leitor, o "tato" no tratar as pessoas é de suma importância e com os integrantes da família não pode ser diferente, acima das diferenças deve haver o respeito.
    Jacqueline Meireles

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  3. é muito importante dentro do ciclo familiar, respeitar as individualidades ao se estab elecer um diálogo.A diferença entre a convivência no meio social para a convivência em família é que não escolhemos familiares e sim nascemos nesse clã.Temos que aprender a conviver com as semelhanças e diferenças nesse meio.
    Ana Cristiana Dias
    Psicóloga
    CRP 5/32257

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