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22 de julho de 2010

Superficialidade, do nó ao laço

Será que a verdade conseguiu sobreviver à superficialidade ou a competitividade está afastando as pessoas nas relações? Porque na sociedade atual é tão difícil traçar uma relação de honestidade e verdade?

A superficialidade torna as pessoas reservadas e distantes como (água e olho), estão ali supostamente juntos, porém sem contato. O mesmo contato que serve como sinalizador de possíveis afinidades, que aproxima as pessoas, consequentemente as comprometem, quer seja na possibilidade em se mostrarem enquanto sujeitos falhos, quer seja pelo temor em ser afetado pelo outro, tocado em seus sentimentos, desvendado e descoberto em suas reais intenções ou pelo medo em ser decifrada, como a “esfinge” que o ameaça com a possibilidade de o devorar.

Não se comprometer também pode ser entendido como forma de proteção, contudo não devemos esquecer que a vida solicita a todo instante comprometimento, ao fazer escolhas, ao expor opiniões, tudo isso pode ser percebido como risco, mas também serve para legitimar o espaço de cada sujeito.

Desse modo, viver é assumir riscos, e em alguns momentos se faz necessário sair o casulo, correr atrás dos objetivos deixar ser tocado e tocar. Os relacionamentos requerem confiança, verdade, honestidade, respeito à individualidade.

Não importa que tipo de relação esteja vivendo, conjugal, familiar, profissional ou amizade, nada resiste à superficialidade.

A superficialidade não permite sintonia, entrega e profundidade. Fraquezas de algum modo todos têm. Nas relações efêmeras não a lugar para o nós, pois será sempre o EU que prevalecerá.

O que muitos esperam através de seu individualismo exacerbado, é que suas expectativas sejam atendidas e respeitadas, sem ao menos pensar que o outro também possui expectativas, anseios e desejos.

Muitos relacionamentos se findam por falta de manejo para manter uma relação madura. Talvez no fim de tudo o que muitos desejam é esconder um pouco dos lodos e das perolas que guardam em seu interior.

Quando o sujeito tem a oportunidade de se mostrar, está abrindo caminho para uma relação mais próxima e verdadeira, pois reconhece suas fragilidades, mais também seu esforço em crescer.

Tendo a possibilidade de assumir seu EU verdadeiro e se libertar das amarras que aprisionam e o sufoca, mostra-se autentico, cria valores sólidos e transparentes.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

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