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22 de março de 2011

RIVALIDADE FRATERNAL DA CRIANÇA AO ADULTO

 “Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”. Martin Luther King Jr. 

 Brigas existentes entre irmãos não é novidade, a história trás varias narrativas inclusive bíblicas. Em geral as crianças tendem a competir pela atenção, amor e afeto dos pais. Na fase infantil a concorrência se mostra através das brincadeiras.
Quando maiores o cenário muda e a disputa cresce, o que antes apenas não passava de diversão infantil se transforma em “jogos” mais perigosos, despertando comparações focais e agressivas regada de sentimentos danosos caracterizando assim a rivalidade.
Inconscientemente os pais tendem a estimular tal comportamento, poucos percebem a forma sutil e super protetora que dirigem a um determinado filho, relevada pela omissão anverso aceitação decorrente de uma suposta fragilidade.
Por mais que seja difícil para alguns pais admitirem cada filho é único, sendo amado e educado de forma diferente, não há como educar filhos com condutas e caráter desiguais de forma igual. Cada criança apresenta traços únicos de personalidade.
Quando não lapidado os maus hábitos comportamentais tendem a se estender para a fase adulta, o individuo passa a repetir condutas infantis, que sinaliza falta de maturidade afetiva.
O que antes não passavam de brigas bobas, transforma-se em algo mais serio, as ofensas se tornam mais apuradas e direcionadas, afinal “as crianças cresceram”, mas continuam com os mesmos comportamentos centralizadores, egocêntricos e primitivos, relativos à primeira infância, necessitam ainda mais da aprovação e do reconhecimento, a procura pela atenção não fica restrita apenas a família é estendida a rede de amigos.
Neste jogo onde a peça primordial é pela aceitação parental, cabe aos pais na função de educadores estarem atentos ao comportamento dos filhos. É muito comum que na presença parentela as crianças tentem utilizar de artifícios manipuladores. Isto ocorre devido à necessidade de aceitação, que se transforma em um disputado jogo de aprovação e reprovação.
É função dos pais tentarem eliminar tais comportamentos, lapidar condutas nocivas como também não superproteger um filho em relação ao outro, estimulando-os a resolverem seus conflitos de forma amistosa e gentil. Ao barrar tais confrontos, eles terão a oportunidade de ensinar às crianças valores imprescindíveis para uma boa convivência, ou seja, o respeito às diferenças.
Ocorre que alguns pais acabam por justificar comportamentos injustificáveis burlando assim o crescimento emocional e impedindo o amadurecimento do filho, todas essas demandas tendem a dificultar ainda mais a relação fraterna e consequentemente a construção de vínculos.
A relação fraternal deve ser cultivada e estimulada pelos pais desde a infância, ajudar as crianças incentivando-as a união, cooperação e respeito é fundamental, auxiliando-as no crescimento e desenvolvimento afetivo - emocional.
 ***
Irmão, Irmãos
* Carlos Drummond de Andrade


Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.
São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,
O mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?
São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objetos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.
Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora


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