Reprodução autorizada desde que mencionada à autora e o site www.psicologiaemanalise.com.br/

27 de setembro de 2011

Sexo virtual é real?


Quando o assunto é sexo a história trás uma sociedade banhada por muitos tabus, e inúmeras transformações, principalmente no meio tecnológico. A virtualidade foi uma espécie de porta de entrada, trouxe a tona assuntos tidos como proibidos. Hoje, o sexo entra nos domicílios com apenas um clique.

Com aceso fácil e pouca educação voltada para uma área tão presente e tão complexa, o tema sexualidade vai além do ato sexual. A internet tem contribuído de maneira significativa com o avançar de temas ligados ao sexo. Entretanto, ainda assim, o sexo tem se voltado mais à pornografia, do que à educação sexual.

O sexo virtual trouxe grandes debates sobre sua virtual realidade. Nele não há toque, nem cheiro, não há contato direto. O computador faz o papel de mediador entre as pessoas, é ele quem leva as informações de quem tecla.
É através dessa ferramenta que o indivíduo estabelece relação, se não há percepção sensorial do toque, sobra imaginação e a visão acaba sendo o importante meio que capta todos os estímulos.

Com inúmeros sites de relacionamentos surgindo a cada dia, as salas de bate papo tornaram-se um lugar cativo. É nesse ambiente real/virtual que o sexo passou a ter mais espaço na vida das pessoas, por outro lado não significa que as relações sexuais ganharão em qualidade.

Em todo caso, é por esse meio que muitos sujeitos conseguem se satisfizer sem que exista uma preocupação aterrorizante com sua performance. Outro ponto a ser tocado diz respeito à liberdade que o sexo virtual trouxe, além da sensação real de proteção quanto à doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e desempenho sexual, neste contexto automaticamente inexiste. Todas essas variáveis trás certa tranquilidade para admiradores e apreciadores. 

A indústria pornográfica de certa forma criou uma espécie de desempenho massacrante para muitos indivíduos. Imensas listas com dicas, formas, modos de praticar o sexo, um verdadeiro manual de instruções. Muitos chegam a serem afetados psicologicamente, almejam, sonham, buscam atender a tal demanda do mercado pornográfico, sem sucesso, sentem-se frustrados, quando não acarretam problemas de ordem sexual.
                               
Como sujeitos “uno”, cada pessoa tem desejos, fantasias, sentem de formas diferentes. Não há um ser igual ao outro, não existe arquétipos quando o assunto é sexo. A sexualidade está presente na vida de todo ser humano, ela faz parte da vida, trás vida e compõe a vida.

As pessoas são únicas e como tal tem necessidades diferentes, muitas encontram no sexo virtual a oportunidade de exercer sua sexualidade com singularidade, na busca do seu próprio prazer. A indústria pornográfica vende o sexo pelo sexo, apresentam formas, ditam posições, estimativa o tempo, dita, o vigor em que o ato deve ser praticado, comercializa o sexo perfeito, atuações pouco atingíveis.

Enfim, existem muitas formas de sentir prazer, a internet é apenas um meio, o problema ocorre quando a pessoa apenas a visualiza como o único mecanismo, onde o indivíduo não consegue, ou pouco consegue, se relacionar de maneira “real” e busca apenas o prazer virtual.

A virtualidade é real, não que ela seja algo palpável, não existe contato físico, há sim o contato sensorial. É através da ferramenta virtual que os sentidos são aguçados e dão lugar às sensações provocadas pelos estímulos.  
Dessa maneira, não se pode dizer que as relações virtuais não são reais, elas são reais sim, pois transmitem a realidade daquele momento, daquela pessoa, e embora que falsamente se mostre, ainda assim é o seu lado real, transitório, mutável, mas, legítimo.



Jacqueline Meireles
Psicóloga/Consultora

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário, participe dessa construção!